I. OS FACTOS INCOMPATÍVEIS
- A Genebra Calvinista, a Escócia de John Knox e os pólos de desenvolvimento católicos
- Os pólos de desenvolvimento anteriores à reforma protestante
- O desenvolvimento protagonizado por não protestantes
- Os pólos de desenvolvimento posteriores à reforma protestante
Uma primeira crítica prende-se com o facto de a Genebra de Calvino não ser desenvolvida. De facto, na Genebra de Calvino, as actividades económicas são severamente reguladas e o empréstimo a juros, se bem que permitido por pressão dos comerciantes, encontra-se sujeito ao princípio Aristoteliano do “preço justo”, que é imposto pelas autoridades às actividades comerciais.
Da mesma forma, na Escócia Presbiteriana, não só a ética puritana não promoveu o desenvolvimento económico, como a modernização económica não era valorizada.
Ao contrário, a Bélgica, Veneza e a Colónia Católicas obtém um sucesso económico de proporções consideráveis, e superior a algumas cidades Calvinistas.
Estas três realidades contradizem a tese Weberiana.
Como notou Werner Sombart no seu livro “O Burguês” e, mais tarde, Schumpeter, antes de Lutero e antes de Calvino, existiam já pólos de desenvolvimento económico e estruturas empresariais complexas e modernas, pelo que a modernização económica foi o resultado de um processo evolutivo e não de uma alteração de mentalidades e da criação de um espírito capitalista, como defendia Weber.
Outro conjunto de factos não explicados pela teoria, resultam do papel desempenhado por empresários não protestantes nos processos de desenvolvimento. O caso dos Judeus foi desde logo referido numa das primeiras críticas à tese de Weber apresentada por Werner Sombart no seu livro “O Burguês”.
Michael Novak recorda que: "In the century since the publication of The Protestant Ethic, the world has seen more than a hundred nations undergo massive economic and political transformations. Such transformations have put Weber’s thesis to the test. Toward the end of the last century, in particular, several scholars were struck by the number of disparate nations in which something very much like a Weberian development seemed to be taking place: an enormous transformation of attitudes toward work and wealth, preceded or accompanied by a profound religious conversion. Scholars today have a wealth of data to collect and reflect upon from the “economic miracles” we have experienced since the end of World War II. Nation after nation, region after region, has entered upon a process of rapid economic growth and political transformation. Since 1980, in a story largely still untold, China and India have between them raised more than half a billion of their citizens out of poverty in their rapid adoption of economies of enterprise, relatively free markets, low taxation, and global trade."
Dificilmente estes processos de desenvolvimento podem ser atribuídos ao Protestantismo.
